Grená
Uma identidade que parece que sempre esteve ali
O Parque Grená é um santuário natural de 18 hectares junto à Lagoa das Furnas, fundado em 1858. Após décadas de abandono, o Parque foi recuperado em 2019. Como seguimento dessa recuperação e reparando-se na fragmentação visual que o parque tinha, foi necessário construir uma identidade capaz de comunicar 166 anos de história de uma forma coerentes. Uma marca que pertencesse ao lugar e que conseguisse ser desdobrada sem perder o fio condutor.
A identidade não podia parecer imposta
Num espaço onde a natureza é a protagonista, qualquer solução demasiado polida ou genérica soaria a falso. A marca tinha de sentir-se como algo que sempre esteve ali.
A complexidade aumentava com a necessidade de desenvolver em simultâneo uma segunda marca para o restaurante, o Grená Volcanic Foods, que precisava de identidade própria, mas tinha de partilhar a mesma linguagem visual do parque.
A resposta já existia. Só faltava vê-la
A resposta foi uma fotografia da palavra "Grená" gravada em madeira. Estava até a ser usada como imagem de perfil em algumas das redes sociais do parque, escolhida de forma intuitiva por quem geria o parque, sem que ninguém tivesse ainda articulado porquê. Uma palavra gravada a ferro quente numa madeira: feita à mão, imperfeita e, por isso, autêntica.
Explorámos outras direções, mas acabamos por voltar a esta ideia. Quando uma imagem já funciona antes de existir uma identidade formal, a resposta raramente está em substituí-la, está em perceber o que ela diz e construir um sistema à sua volta.
A imperfeição como diferenciador
Desenvolvemos um símbolo construído à volta desse mesmo gesto artesanal: três árvores a rodear uma cascata, desenhadas com traços irregulares e texturados que evocam madeira queimada, com imperfeição e assimetria intencionais. Esta irregularidade tornou-se o diferenciador e uma ligação à própria vivência no parque.
Um sistema que escala sem perder carácter
Para suportar a comunicação de todas as atividades e espaços, criámos uma família de ícones ilustrados, caiaques, jacuzzis, trilhos, cascatas, miradouros, zonas de piquenique, todos desenhados com o mesmo traço orgânico e irregular. Um sistema coeso que escala sem perder carácter.
O mesmo gesto artesanal. Outro território
Quando chegou o momento de trabalhar o restaurante, a abordagem foi a mesma: partir do lugar. O Volcanic Foods não é uma entidade separada, é uma extensão da experiência do parque. Por isso mantivemos a base estética da Grená e fizemos apenas uma substituição cirúrgica: as três árvores do símbolo deram lugar a um tacho, em referência direta ao Cozido das Furnas cozinhado nas caldeiras vulcânicas durante 12 horas.
A identidade aplicou-se a menus, individuais de mesa, que funcionam também como mapa ilustrado do parque, e restante comunicação do espaço.
Não parece nova. Parece que sempre esteve ali
Um sistema visual com mais de 20 pontos de contacto, coerente da sinalética ao menu, do cartaz ao individual de mesa. Duas marcas integradas que falam a mesma língua sem se confundirem. E uma identidade que, quando alguém a vê pela primeira vez, não parece nova, parece que sempre esteve ali.
Sobre o Parque Grená
O Parque Grená é um santuário natural de 18 hectares situado junto à icónica Lagoa das Furnas, na ilha de São Miguel, Açores. Fundado em 1858, o parque atravessou várias gerações até ser cuidadosamente recuperado em 2019.
Hoje, oferece aos visitantes uma experiência única de contacto com a natureza açoriana: trilhos pedestres, cascatas, jacuzzis naturais aquecidos pela energia geotérmica, e o restaurante Volcanic Foods, onde se pode saborear o tradicional Cozido das Furnas cozinhado nas caldeiras vulcânicas.
- Fundação 1858
- Recuperação 2019
- Área 18 hectares
- Localização Furnas, São Miguel, Açores
- Pontos de contacto +20 no sistema visual
- Marcas Parque Grená & Volcanic Foods
A seguir ao Grená
Outros três casos onde os mesmos princípios deram resultado em contextos diferentes.